Quando sentir nossas emoções parece ser assustador…

Você já teve medo de sentir a sua própria tristeza?

Medo de parar por alguns minutos, permitir que as lágrimas venham e descobrir que talvez não consiga mais se levantar?

Recentemente, durante um atendimento, uma pessoa compartilhou comigo um sentimento que escuto com frequência:

“Tenho medo de olhar para essa dor. Tenho medo de começar a chorar e cair em um buraco sem volta.”

Talvez você também já tenha experimentado essa sensação.

Porque eu certamente já experimentei.

E, se você é mãe, especialmente se vive longe do seu país de origem, provavelmente entende muito bem o que estou falando.

O luto que muitas vezes não reconhecemos

Quando ouvimos a palavra “luto”, geralmente pensamos na perda de uma pessoa querida.

Mas existem muitos tipos de luto.

Existe o luto pela vida que ficou para trás.

Além daquele pela família que está longe.

E também pelos amigos que você não vê mais com frequência.

Ou pela carreira que precisou ser interrompida ou reinventada.

Ainda mais pela rede de apoio que existia antes da imigração.

Talvez pela versão de você mesma que existia antes da maternidade.

Para muitas mães expatriadas, esses lutos acontecem simultaneamente.

E o mais desafiador é que, muitas vezes, eles passam despercebidos.

Porque você continua cuidando dos filhos.

Além de continuar trabalhando.

E resolvendo problemas.

Você continua funcionando.

Por fora, tudo parece seguir normalmente.

Mas por dentro, existe uma dor que nunca encontrou espaço para ser sentida.

O medo de sentir

Vivemos em uma cultura que valoriza produtividade, desempenho e resiliência.

Além disso, aprendemos desde cedo que precisamos ser fortes.

Que devemos seguir em frente.

Porque chorar é sinal de fragilidade.

E que sentir demais pode nos atrapalhar.

Então fazemos aquilo que parece mais seguro: empurramos as emoções para baixo e seguimos funcionando.

O problema é que emoções não desaparecem porque as ignoramos.

Elas permanecem presentes.

Muitas vezes como tensão muscular.

Outras vezes como ansiedade.

Às vezes como irritabilidade.

Ou até como exaustão constante.

Sempre como aquela sensação difícil de explicar de que algo dentro de nós está pedindo atenção.

O que a tristeza está tentando nos dizer?

Na visão da Medicina Tradicional Chinesa, as emoções fazem parte da experiência humana e possuem funções importantes.

Portanto, elas não são problemas a serem eliminados.

São mensagens.

Movimentos.

Expressões naturais da vida.

A tristeza, em especial, nos convida a um movimento de recolhimento.

Porque ela nos convida a diminuir o ritmo.

A olhar para dentro.

Portanto a refletir profundamente.

A avaliar aquilo que ainda faz sentido em nossa vida e aquilo que talvez precise ser deixado para trás.

Então em vez de enxergá-la como uma inimiga, podemos começar a vê-la como uma professora.

Uma emoção que nos ajuda a compreender o que foi perdido, o que mudou e o que precisa ser integrado para que possamos seguir em frente.

Manuel's River

As lágrimas têm uma função

Muitas pessoas relatam sentir alívio após um episódio de choro.

Isso não acontece por acaso.

Porque as lágrimas podem representar uma forma de liberação emocional.

Como se fosse um esvaziamento.

Uma pausa.

Portanto, um processo natural de reorganização interna.

Na natureza, os ciclos de encerramento são tão importantes quanto os ciclos de crescimento.

Já que antes de uma nova estação chegar, algo precisa terminar.

Folhas caem.

Frutos amadurecem e se desprendem.

A terra descansa.

Com os seres humanos não é diferente.

Existem momentos em que precisamos permitir que algo seja liberado para que o novo possa surgir.

Nenhuma emoção dura para sempre

Uma das maiores ilusões criadas pelo medo é a ideia de que, se permitirmos sentir uma emoção difícil, ficaremos presos nela para sempre.

Mas emoções não funcionam assim.

Elas são passageiras por natureza.

Porque elas vêm.

Nos atravessam.

E vão embora.

Como as ondas do mar.

No entanto, o sofrimento frequentemente aumenta quando tentamos bloquear esse movimento natural.

Quanto mais resistimos, mais energia gastamos sustentando aquilo que deseja se mover.

Isso não significa que devemos nos afundar na tristeza ou alimentar pensamentos dolorosos continuamente.

Mas significa apenas que podemos criar espaço para reconhecer o que estamos sentindo com gentileza e presença.

Um convite para as mães que vivem longe de casa

Se você é uma mãe expatriada ou imigrante, talvez esteja carregando emoções que nunca teve oportunidade de processar.

Talvez esteja tão ocupada cuidando de todos ao seu redor que esqueceu de olhar para si mesma.

Talvez exista uma tristeza que você vem adiando sentir há meses ou até anos.

Mas se esse for o seu caso, saiba que você não está sozinha.

Sentir saudade não é fraqueza.

E sentir tristeza não significa que você tomou decisões erradas.

Precisar chorar não significa que você está quebrada.

Significa apenas que você é humana.

E que seu corpo e sua mente estão tentando processar experiências importantes da sua jornada.

Quando procurar ajuda

Embora a tristeza seja uma emoção natural e necessária, existem momentos em que o suporte profissional é fundamental.

Se você percebe que sua dor emocional está afetando significativamente sua qualidade de vida, seus relacionamentos, seu sono, sua capacidade de trabalhar ou de cuidar de si mesma, considere procurar ajuda especializada.

Você não precisa atravessar esse caminho sozinha.

Porque existem profissionais preparados para oferecer suporte, acolhimento e ferramentas adequadas para cada momento.

Conclusão

Talvez a tristeza não seja o buraco sem volta que você imagina.

Talvez ela seja apenas uma porta.

Uma porta para dentro de si mesma.

Uma oportunidade de compreender o que precisa ser honrado, elaborado e liberado.

As emoções não vieram para nos destruir.

Vieram para nos ajudar a navegar pela experiência humana.

Porque quando aprendemos a escutá-las, em vez de lutar contra elas, descobrimos que existe sabedoria até mesmo nas lágrimas.

**Importante:** Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui acompanhamento psicológico, psico terapêutico ou médico. Se você estiver vivenciando sofrimento emocional intenso ou persistente, procure ajuda de um profissional de saúde mental qualificado.

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